Partidos políticos condenam a relação do governo turco com a máfia

O Partido Democratico dos povos (HDP), o Partido Trabalhista (EMEP), a Casa do Povo, o Partido de Esquerda, o Partido dos Trabalhadores da Turquia (TIP), o Partido Comunista da Turquia (TKP) e o Partido da Liberdade Social (TÖP) publicaram uma declaração conjunta sobre a relação máfia-Estado que recentemente tem provocado acalorados debates na Turquia.

No domingo passado, o conhecido mafioso turco Sedat Peker, condenado a 14 anos de prisão e atualmente em liberdade, presumivelmente no exterior, acusou altas autoridades da Turquia, entre elas um ministro, de estarem diretamente envolvidos com o tráfico de cocaína com origem na Colômbia. Peker está há semanas divulgando vídeos com monólogos que já somam milhões de visualizações, nos quais revela supostas conexões entre o crime organizado e importantes personalidades do governo turco e o partido que dirige a Turquia desde 2002, o islamita AKP. Ao mesmo tempo, Peker garante apoiar plenamente Erdogan.

O alvo favorito dos ataques de Peker é o ministro do Interior, Süleyman Soylu, que muitos consideram como um potencial sucessor do presidente turco Erdogan. No sétimo vídeo divulgado pelo mafioso, ele lembra que em junho passado a polícia colombiana apreendeu no porto pacífico de Buenaventura 4,9 toneladas de cocaína em um cargueiro que tinha Turquia como destina, sem prender ninguém nem falar a qual cartel pertencia a carga.A seguir publicamos a declaração completa dos sete partidos políticos em relação ao novo escândalo do governo turco.

“Foram revelados delitos”

Os povos da Turquia são testemunhas mais uma vez da revelação de crimes cometidos pela associação Estado-política-máfia. Crimes contra os povos da Turquia, corrupção e tráfico de drogas, execuções extra-judiciais e assassinatos foram revelados como resultado de interesses em conflito.Eliminação total da democracia e das liberdades na Turquia, estancamento da questão curda, crimes cometidos por grupos mafiosos contra os povos, saque dos recursos públicos e da natureza, monopólios locais e estrangeiros, violência contra as mulheres, assédio, estupro e feminicídio, corrupção e suborno se tornaram a regra, não a exceção para os que governam esse país.

Quem se utiliza do nacionalismo para seus interesses políticos estão legitimando a apropriação do esforço dos trabalhadores e o futuro dos povos.

“O poder judicial e o sistema legal que depende do governo protegem essas alianças sujas”

Essas sujas alianças entre grupos mafiosos e funcionários estatais e o roubo, a morte e a usurpação estão protegidas por um Poder Judiciário e pelo sistema legal que dependem do governo. Os povos da Turquia não poderão se sentir livres sem mudar a ordem política, econômica e social que criou essas alianças.Lutar contra essa aliança de criminosos significa lutar pelo pão, e pelo trabalho dos trabalhadores, a vida das mulheres, o futuro dos jovens e a igualdade de direitos para os curdos e os alevitas.Nós, como forças a favor dos trabalhadores, os oprimidos, os pobres e os “diferentes”, chamamos para uma luta conjunta contra essa suja aliança. Todos os autores de delitos devem ser expostos e os responsáveis devem prestar contas à justiça. Sabemos que o governo, que baseou sua soberania política nesse mecanismo de opressão, terror e corrupção não dará conta por si mesmo desses crimes que foram revelados.

“Devemos nos organizar”

Fazemos um chamado aos partidos políticos, sindicatos, organizações democráticas de massas e aos povos da Turquia para que ampliem a oposição social e lutem contra essa ordem. Devemos levantar a voz e nos organizar aumentando nossas objeções. Baseados em nossa responsabilidade histórica, fazemos um chamado a todos para nos mobilizar e lutar por uma sociedade digna, nos desfazendo dessa aliança suja.

Fonte: ANF / Kurdistán América Latina / Tradução: Mariana Ferreira / Comitê de Solidariedade à Resistência Popular Curda

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